Testemunhos sobre o trabalho



"O trabalho pode ser a diversão mais saborosa do Homem. Apercebemo-nos disso ao ler as biografias de muitas figuras célebres que deixaram obra notável e apercebemo-nos disso se, simplesmente, olharmos para os nossos desejos insatisfeitos. Qual a criança que não terá desejado "trabalhar" com um pai que fosse um inventor ou um futebolista?"
(EM, psicóloga)

"É uma pena não poder levar o meu filho comigo, para o emprego."
(AS, funcionário público)

"O drama é que o bem estar das pessoas, no que tem a ver com as necessidades mais simples - como a necessidade de sentir que o seu trabalho resulta em algo de proveitoso - nunca é considerado um objectivo fundamental de quem nos dirige, apesar das suas afirmações em contrário."
(ATP, economista)

 "O pior vem quando o inevitável acontece e o jovem perde o estatuto de estudante e recebe o de trabalhador. É o momento mais difícil das suas vidas. Procuram, na empresa, o cidadão idealizado,  pleno de direitos e o professor que tratavam por tu. Normalmente são dispensados, sem qualquer retribuição, pouco depois da sua admissão."
(RV, gestor)

"Gostava de poder orgulhar-me do que faço no meu trabalho. Em geral escondo o que lá se passa e, quando desabafo, apercebo-me de que não dou uma boa imagem de mim, aos meus filhos."
(LP, funcionário público)

"Pelo que vêem nos professores e nos pais, pela imagem que recebem, os mais novos desejam tudo menos tornar-se adultos."
(EM, psicóloga)

"O pior que pode acontecer a um professor é ficar entalado entre o medo à família de um aluno e o medo ao conselho executivo da escola".
(MM, professora)

"No funcionalismo público, ou se faz parte da "panela" e tudo são facilidades, ou não se faz parte da dita e toda a terrível hostilidade burocrática própria dos empregos públicos nos cai em cima".
(LP, funcionário público)

"Confesso que nunca percebi a diferença entre uma "situação clínica urgente" e uma "situação clínica emergente". Mas essa diferença, a existir, terá que ser muito subtil. O que se pretendeu foi salvaguardar responsabilidades, encaminhando tudo e todos para os Centros de Saúde. À custa de quê???"
(AR, médico)

"O modo como os hospitais "despacham" os casos de mau prognóstico é arrepiante. Pobres famílias..."
(AR, médico)

"Nos serviços de urgência os médicos não têm, neste momento, a quem pedir um conselho ou uma opinião sobre uma caso mais difícil. Vai tudo pelo consenso ou, como agora se diz, pela "evidência". O que interessa é contabilizar mais um código CID e se for 9 ou 10 tanto interessa."
(AR, médico)

"Os alunos, agora, são muito faladores. Logo após a primária, devia ser adoptado o princípio Aristotélico de os alunos ficarem proibidos de falar durante 5 anos. Talvez assim percebessem que sempre houve, há e haverá, um tempo para se ser aprendiz e um tempo para se ser mestre."
(MT, professora)

"Nas aulas, ou fora delas, a minha vida de professora decorre sob o receio de que apareçam os inspectores."
(MT, professora)





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